Filosofia

Palavras Verdadeiras e Verdades Inteiras

As verdadeiras palavras não são sempre bonitas
e as palavras bonitas nem sempre são verdadeiras.

Filósofo Anónimo


Na segunda década do século XIX e início do século XX, assistimos à divulgação de alguns conhecimentos da esfera ocultista associada a acontecimentos excêntricos, a marcas de ostentação, chamando a atenção do público não só para o que se divulgava mas também para a figura do ocultista, que se apresentava como alguém dotado de poderes invulgares.

Curiosamente, assistimos ao mesmo fenómeno, com contornos semelhantes na primeira década deste século.

Este pequeno artigo pretende ajudar a reflectir sobre as possíveis causas que poderão estar na origem da tentativa de notoriedade com que algumas figuras se apresentam ao público em geral.

Alguns termos, tais como Ocultismo, Esoterismo, Misticismo e outros afins, remetem para um sentimento de mistério, entre o medo e a curiosidade, indecifrável para o homem comum, o que torna quem diz entender ou dominar estes assuntos o detentor de um privilégio invulgar, um ser predestinado, eleito, funcionando como mediador entre dois mundos (o físico e o suprafísico), o tradutor de realidades invisíveis aos olhos físicos. Deste modo, o indivíduo destaca-se da maioria por um poder diferente que se fica pelo conhecimento ou pelo exercício de algumas capacidades.

Vende-se o Ocultismo, ou oferece-se na estrada mais longa da informação, a troco de uma necessidade íntima de aprovação, de reconhecimento por parte dos outros, de afecto. Notamos, também, que o Ocultismo se vende para satisfazer um sonho megalómano, restos de um Romantismo torpe, em que o herói se considera diferente dos demais.

Quer seja pela necessidade de reconhecimento, de aprovação, por vaidade, por exibicionismo, por desejo de poder ou para satisfazer um sonho distorcido, o dinheiro nem sempre é o motivo principal pelo qual determinados indivíduos vendem pedaços de Ocultismo como se de uma peça de retalho se tratasse.

Os verdadeiros mestres que têm ajudado a Humanidade a evoluir, não obstante as épocas e culturas tão diversas em que viveram, sempre se pautaram pela discrição, pela simplicidade, pelo despojamento e pelo desinteresse. Cristo foi o exemplo que conseguiu congregar todas estas virtudes na perfeição e alertou-nos dizendo-nos que “pelos frutos os conhecereis”.

Maria Coriel




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