Filosofia

Meditando...

Meditando sobre os cinco primeiros versículos do Evangelho de S. João encontrar-se-ão, por certo, grandes dificuldades na compreensão dessas palavras tão cheias de conteúdo, com as quais se ensina como se formou a Terra e tudo quanto nela vive e segue uma linha evolutiva definida.

O tema escolhido para meditação dos provacionistas é muito difícil! Mas dele emerge a luz necessária a quem toma o caminho estreito que leva à perfeição.

Os quatro evangelhos são livros iniciáticos, intimamente ligados aos quatro signos fixos do Zodíaco. Estão representados na gravura pelos símbolos dos signos do Touro, Leão, Escorpião e Aquário. As figuras ocupam os seus lugares exactos: o Touro em frente do Escorpião; Leão em frente do Aquário, para indicar o equilíbrio entre eles, pois o Touro é o signo que representa a natureza terrena, prática, harmoniosa, estável; Escorpião, aqui representado pela Águia branca, que nos seus voos sobe ao mais alto que pode ir uma ave, representa a natureza da água, simbólica da vida e das emoções que nos tornam activos e assim nos fazem evoluir. É pela água que todos estamos novamente neste mundo e dela não podemos prescindir; mas se fomos engendrados na água e por meia dela viemos à vida neste mundo, também ela nos pode tirar a vida. E por isso Escorpião nos fala da vida e da morte, e também dos seus mistérios, que temos de aprender. Estes dois signos mostram-nos a harmonia existente nas relações entre os elementos que representam, pois a terra e a água são afins, as suas naturezas harmonizam-se perfeitamente.

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Estes quatro signos representam as quatro ordens de seres que vivem para nos ajudar na evolução. O Touro fala-nos dos gnomos, espíritos da Terra; eles são pacíficos e trabalham connosco, desde a formação dos nossos corpos no seio materno até ao fim da vida, pois são eles que possuem o segredo da matéria e podem fazer dela tudo quanto quiserem. O Escorpião fala-nos das ondinas, espíritos da água; elas são pacíficas e aliadas íntimas dos gnomos para o seu trabalho na terra. Eles não podem trabalhar sem a cooperação das ondinas. E, desta maneira, gnomos e ondinas se associam para formar os nossos corpos no útero materno. E depois, até à morte, estes pacíficos e estáveis espíritos continuam a trabalhar nos nossos corpos para que possam manter-se vivos e nós possamos evoluir – conquistar a perfeição.

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No primeiro plano da gravura, indo de baixo para cima, encontramos o Touro e o Escorpião: são os representantes das duas ordens de Espíritos da Natureza que nos dão entrada neste mundo, preparando a matriz dos corpos.

Todas as figuras são aladas para indicar os espíritos dos elementos e também os Grandes Seres Divinos que os dirigem na sua prodigiosa obra, e os quais acorrem vertiginosamente onde são necessários.

Ao centro vemos uma esfera e por cima dela um grande livro aberto e por detrás a luz do Sol. A esfera representa a terra onde todos nascemos e renascemos para adquirir experiência, que sempre resulta dos nossos bons e maus passos, e para que aprendamos a escolher entre o que é bom e perdura e o que terá o seu fim. A Terra é, portanto, uma grande escola onde todos os seres entram para estudar as lições convenientes a uma altíssima graduação.

O livro representa os Evangelhos, que foram pregados por Mateus, Marcos, Lucas e João, nos quais está toda a doutrina que nos há-de conduzir à posse plena de todos os nossos poderes espirituais que, devido aos nossos erros, estão obscurecidos. E nenhum exercício que não seja a perfeição espiritual poderá dar-nos a posse das adormecidas faculdades espirituais. Por isso mesmo, a doutrina contida nos Evangelhos nos libertará das condições mesquinhas da Terra e nos guindará acima dela, tal como está indicado na gravura, onde vemos todas as figuras sobre as nuvens com a luz que irradia do livro a envolver todo o conjunto.

Além de tudo, este livro também representa o nosso átomo-semente, o registo de todas as nossas acções, para que fique a memória viva do que fomos. E assim que podemos aprender, depois do exame de tudo o que ficou gravado e do seu confronto com as reacções provocadas. E assim podemos melhorar de vida em vida, ser cada vez mais fortes e perfeitos.

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No Princípio Era o Verbo

Ao abrir o quarto Evangelho, deparamos com uma breve narrativa a respeito da formação da Terra e da evolução humana, feita em termos iniciáticos. Examinemo-la:

“No princípio era o Verbo”, a palavra criadora de Deus, o som, a vibração; porque a palavra é som, e o som não é mais do que vibração. Depois, o verbo é a espinha dorsal da frase. Não nos podemos entender perfeitamente sem o auxílio dos verbos. Ao verbo se atribui, na frase de S. João, o poder de tudo criar e reger!

E o grande iniciado Nazareno continua: “E o verbo estava com Deus, e o verbo era Deus”.

Assim nos diz como o Poder de Criar, a vibração, estava com Deus. E afirma: “Este estava no princípio com Deus”. Donde se conclui que no princípio todo o poder estava na posse de Deus, mas que podia ser comunicado ou transferido e individualizado.

É o caso dos Espíritos Virginais: estão com Deus, fazem parte dEle, mas são separados dele e convertidos em seres, como nós, para se individualizarem através das experiência e chegarem a ser deuses também. Neste caso, o processo foi o mesmo e, por isso, o Verbo é o Filho de Deus.

Mas, continuemos meditando...

“Todas as coisas foram feitas por Ele: e nem uma só coisa, que foi feita, foi feita sem ele”.

Por estas palavras vemos que o Filho, quando já tinha atingido a meta da evolução, sendo portanto um Deus também criou o nosso mundo e todas as coisas que nele existem.

E de onde exerceu Ele, o poder da Sua vontade?

É S. João quem nos informa:

“Nele estava a vida, e vida era a luz dos homens!”.

O Filho de Deus exerceu todo o seu poder do Sol, dessa poderosa fonte de vida. Porque, toda a luz e toda a vida nos vem do Sol, e nós sabemos que a luz é vibração criadora. Portanto, o Verbo é o que chamamos Cristo Cósmico, o Senhor do Sol, visto que dele recebemos a luz e a luz é vida que anima tudo neste mundo em que vivemos.

“E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam”.

Com estas palavras S. João nos informa que o Cristo Cósmico é quem dirige a nossa evolução, e como se esforça para nos impulsionar no sentido mais amplo da perfectibilidade, e como nós, mergulhados na ignorância, nas trevas, teimamos em desviar-nos do caminho da rectidão.

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Ao Cristo Cósmico chama a Igreja Católica o SANTÍSSIMO e diante do Sacrário coloca uma lâmpada votiva, em que o azeite arde de dia e noite.

Dentro do Sacrário está o recipiente com as hóstias. Estas são feitas de farinha de trigo e água. Ora, tanto nas oliveiras que deram as azeitonas donde foi extraído o azeite, como o trigo que nos deu os grãos donde se fez a farinha para as hóstias e para o pão que comemos, foram criados pelo Sol, foram vivificados pelos raios do Sol. E, por isso, estes produtos – o azeite e a farinha transformada em hóstias – são oferecidos pelo Homem ao SANTÍSSIMO em sinal de gratidão e para lhe mostrar como compreende o seu esforço para nos auxiliar.

(...)

O azeite e a farinha da hóstia são produtos da terra e da água, sua íntima associada, donde se conclui que os espíritos da terra e os da água estão presentes. E pela mesma razão também os espíritos do fogo e os do ar ali estão representados, o que favorece depois a operação mágica dos clérigos que se chama “consagração”. Por esta razão é que se associam tantas vezes os espíritos elementais à liturgia católica, e se tira desta associação um efeito por vezes interessante, como se verá no trabalho sobre os sacramentos a publicar nesta revista.

(Resumo do texto publicado)

Francisco Marques Rodrigues




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