Filosofia

O Culto dos Mortos

A morte, tal como é conhecida, não existe! A morte não é mais do que simples mutação das condições de vida: deixamos a vida que temos e logo iniciamos outra fase inteiramente diferente!

A Obra Divina que somos não se destina a uma finalidade tão inglória como seria a duma sepultura! Não! Nós não morremos! Apenas mudamos de situação, perdendo o corpo terreno, carnal, mas mantendo a sua forma etérea, espiritual, divina, porque tudo quanto é divino é eterno.

É muito antigo o culto dos mortos, entre alguns povos. Todavia, os essénios, e depois os cristãos, não prestavam culto aos finados, limitando-se a reverenciá-los no íntimo dos seus corações, sem nada exteriorizar.

Uma grande parte dos essénios eram médicos e alquimistas, e os primeiros ficaram conhecidos na História Sagrada por Terapeutas. Ora, os terapeutas, logo que falecia algum dos enfermos a seu cargo, não voltavam mais à sua residência, e eles sabiam que na verdade o seu cuidado já ali não era necessário. Dali por diante o indivíduo era deixado a si mesmo, no maior silêncio, para que recolhesse calmamente o panorama da vida terminada e depois se abismasse na sua revisão, de modo que, sem o menor inconveniente, pudesse reviver totalmente as suas acções, primeiramente as más e depois as boas, e assim tirar delas a lição necessária ao seu crescimento espiritual, ao aceleramento da sua evolução.

Os essénios e outras Ordens Esotéricas antigas sabiam que todo o alarido que se fizesse junto dos defuntos prejudicaria o seu trabalho espiritual, tão transcendente que dele depende o mais perfeito aproveitamento de energias para mais depressa ascender a mais altas condições espirituais, para mais rapidamente evoluir. Por isso não prestavam culto algum aos seus mortos, para não alterarem os seus trabalhos purgatoriais e celestes, pelos quais nutriam o mais solene respeito.

Os cristãos de Roma, por toda a parte perseguidos, refugiavam-se nas catacumbas, uma caverna enorme, com quilómetros de extensão, onde os romanos tinham de havia muito tempo estabelecido o cemitério da cidade, mas faziam-no por comodidade e segurança, visto que naquele local, onde os habitantes de Roma iam prestar culto aos seus mortos, ou melhor, aos Manes dos seus mortos, e assim não se tornavam notados, pelo que podiam trabalhar em paz na sua Magna Obra. Eles não iam prestar culto aos mortos, como faziam os romanos paganizados, mas fazer as suas pregações e orar, cantar os seus hinos e louvores a Cristo e a Deus. As suas reuniões não se realizavam exactamente na parte onde se depositavam os cadáveres, mas em lugar mais distante, onde vieram a ser descobertos e massacrados, porque sempre o homem foi, e será, o lobo do homem.

(Resumo do texto publicado)

Fernandes Costa




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