Filosofia

A Amizade como Ideal

Entre os religiosos é costume tratarem-se como irmãos, em reconhecimento de que todos somos filhos do mesmo CRIADOR DEUS. Isso, não obstante, nem sempre está em harmonia com o que se pretende, pois entre os irmãos e irmãs sempre medra o egoísmo que os separa e lança uns contra os outros numa luta por vezes feroz, devida quase sempre à ânsia de posse dos bens terrenos! Porém entre amigos já o caso é mais raro, porque na amizade nós damo-nos de graça uns aos outros, sem pedir em troca outra coisa que não seja a pureza da amizade, esse laço tão misterioso e tão grato na união das almas, pois toda a força da amizade tem como único campo de acção o domínio espiritual, onde os prazeres de natureza mesquinha e terrena são desconhecidos! e foi por isso mesmo que o Divino Mestre substituiu o tratamento de irmão, que dava aos seus discípulos, pelo de amigo1.

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Os irmãos Mais Velhos da ORDEM ROSACRUZ, cujos ensinamentos admiráveis nos uniram na Senda do Progresso, fazem honra aos seus discípulos tratando-os como CRISTO tratou os seus apóstolos, dando a todos o tratamento de AMIGO.

Se nós seguimos o caminho destes Grandes Seres, algum dia nos acharemos na presença deles e receberemos deles o mesmo tratamento de amigo pronunciado com voz tão suave, tão carinhosa e tão aprazível que ultrapassará toda a capacidade da avaliação humana! E desde esse dia não haverá trabalho algum que não sejamos capazes de realizar para merecer tal amizade. O seu único desejo, a sua única aspiração será SERVI-LOS e não haverá distinção humana que possa comparar-se com tal galardão como é o de nos chamarem meus amigos.

A amizade é a mais bela forma de amor, porque não pede em troca coisa alguma de natureza terrena, grosseira.

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Aprecio imenso a confiança que deposita em mim e asseguro-lhe que me esforçarei por lhe prestar toda a minha ajuda dentro das possibilidades das minhas forças, para me tornar digno da sua confiança. E por minha parte espero que o meu amigo me ajude no meu trabalho que para si e para os demais realizo, esperando que forme um juízo caritativo ao descobrir em mim ou nos seus escritos algum defeito ou falta. Ninguém está mais necessitado das orações dos seus semelhantes do que aquele que é obrigado a servir de guia. Portanto, queira ter-me sempre presente nas suas preces, como eu o terei nas minhas.

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Numa ocasião em que Cristo estava só com os seus doze discípulos, eles lhe pediram explicação de uma parábola, e Ele lhes respondeu:

“A vós é dado saber o mistério do Reino de Deus; mas aos que estão fora, falarei por parábolas todas estas coisas”2.

Embora cristo tivesse ensinado por parábolas, era tão grande a sua compreensão dos fundamentos da natureza humana que ainda hoje, em nosso mundo moderno, debaixo de condições tão diferentes, todos podemos tirar proveito ao ler e meditar estas parábolas, curtas narrativas que contêm sempre certa moralidade, e são apropriadas aos dias de hoje.

Quando um dos seus ouvintes perguntou a Cristo o que devia fazer para possuir a vida eterna, foi-lhe dito que era essencial amar a Deus e ao seu próximo; e, quando o interlocutor perguntou com má fé, “mas quem é o meu próximo?” Cristo lhe respondeu com a narração de uma das parábolas mais interessantes que nos têm sido relatadas. Falou-lhe a respeito de um homem que, viajando de Jerusalém para Jericó, caiu em mãos de ladrões que o deixaram estendido, meio morto, à beira do caminho. Falou do clérigo que passou por ali, e do levita que igualmente passou de um lado para o outro, ambos indiferentes; e de um samaritano que vinha pelo mesmo caminho, o viu e teve misericórdia dele, cuidando-o da melhor forma possível.

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Nestes dias de política de apaziguamento, todos podemos extrair a moralidade desta antiga parábola. Devemos estar prontos para ajudar onde quer que seja preciso o nosso auxílio, seguindo sempre os ditados do nosso coração. Esta é a resposta com respeito ao que faremos para possuir a vida eterna, tanto agora como nos dias em que Cristo viveu na Terra. Amaremos a Deus de todo o nosso coração e de toda a nossa alma, de todas as nossas forças e entendimento, e ao nosso próximo como a nós mesmo.

(Resumo do texto publicado)

Max Heindel
in Cartas aos Estudantes

Trad. Bernardo Correia de Almeida

1 João, Cap. XV, 15.
2 CRISTO não divulgou a parte secreta da sua Doutrina: reservou-a para os escolhidos. Os Rosacruzes, continuadores da Escola Secreta dos Cristãos, vão divulgando esses ensinamentos a todas as pessoas que os procuram e vêem de coração limpo Nota do Editor.




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