Filosofia

Alegria de Viver

A alegria de viver, isto é, uma vida plena e consciente, só se pode alcançar quando o homem tiver conseguido não só o conhecimento da sua natureza interna e externa como, também, for suficientemente forte para orientar definitivamente a sua vida em perfeita harmonia com a finalidade da mesma.

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Procura-se hoje, por toda a parte, a alegria de viver, prova clara de que não se possui esse sentimento íntimo. Se nos fosse dado ler na alma de cada um o sentimento predominante, ficaríamos surpreendidos ao verificar que esse sentimento é o medo. Medo de tudo. Desde as coisas mais disparatadas e infundadas ao medo consequente duma falsa visão e compreensão das coisas e da própria vida. Há quem tenha medo de o mundo acabar; medo da morte, medo da existência após a morte, medo de não alcançar certas condições de vida, medo de perder certa posição social, medo do futuro.

Tem sido afirmado por muita gente que o medo é um sentimento negativo e, portanto, prejudicial sob várias pontos de vista. Max Heindel diz-nos que “sempre que alguém permite que pensamentos de medo se introduzam no seu íntimo, essa atitude ajuda a congelar as correntes do seu corpo de desejos, construindo uma couraça de cor azul-aço em que aqueles que nutrem sentimentos e pensamentos de medo e inquietação, se encontrarão um dia encerrados e isolados do amor, da simpatia e do auxílio do mundo”. Devemos, portanto, esforçar-nos por ser carinhosos e alegres mesmo em circunstâncias adversas. Vejamos a inconsistência de alguns receios que privam de tranquilidade.

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A morte é fantasma que horroriza só aqueles que não sabem, ou esquecem, que por detrás do corpo físico, e como realidade permanente, está a alma. Ou, mais bem dito, o espírito que, criado à semelhança de Deus, seu Pai, é eterno e imortal. Logo, a morte nada mais representa que a perda do corpo físico, ou seja o meio de actuarmos directamente neste plano terrestre. O nosso eu, ou seja, o verdadeiro ser humano, continua existindo com todas as suas faculdades e atributos espirituais.

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O medo de não conseguirmos determinadas condições é igualmente infundado. Convém não esquecer que tudo o que temos, como aquilo que nos falta e que de momento não é possível alcançar, tem duas razões de ser: ou não nos convém, ou por motivo do nosso passado, não o merecemos. No primeiro caso, a meditação serena mostrar-nos-á que desejamos o supérfluo ou o que nos prejudica, tornando-se para nós um mal se o conseguíssemos. No segundo, a reflexão mostrará que o nosso procedimento em vidas anteriores nos tornou temporariamente imerecedores das condições que simplesmente desejamos, ou que de facto nos fazem falta. O caminho a seguir é proceder agora e sempre de tal sorte que nos tornemos realmente dignos das desejadas condições. E, como sempre, os nossos esforços não serão inúteis, embora frutifiquem passado muito tempo ou até em vidas futuras.

E finalmente, acerca do futuro: nunca nos deve assustar, sabendo que é a consequência natural do presente.

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A alegria de viver é antes de mais nada um estado de alma, consequência da tranquilidade da consciência. E a seguir, é o desejo vivo e permanente de colaborar no Plano Divino a evolução na medida das nossas presentes forças e capacidade. Só desse estado de alma e da realização desse desejo resulta a legítima alegria de viver que resiste à adversidade e é perpétua.

(Resumo do texto publicado)

A. A.




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